terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Saúde Pública que conheço (conhecemos) no Brasil

- Tenho medo de ficar doente, em face do que tenho visto em relação à saúde no Brasil!

Essa frase poderia muito bem ser dita por mim, por você, que me  lê neste momento, ou por qualquer outro cidadão brasileiro que, na atualidade, precisa de atendimento médico no Brasil, seja ele público ou privado.

O autor dessa frase, alguém de minhas relações, possui um atributo muito especial: ele é médico, profissional de larga experiência e longos anos de exercício profissional. Já ingressando na chamada terceira idade, sabe que seu corpo já apresenta sinais dos anos vividos e que, em algum momento, terá de requerer a ajuda do sistema de saúde brasileiro para cuidar de eventuais problemas que possam afetar o seu organismo.

Ao ouvir tal desabafo, de imediato me fiz, silenciosamente, uma pergunta que você também deve estar se fazendo neste momento:

-Poxa, se ele, que é médico, diz isso, o que dizer de mim, que sou um simples cidadão em busca de um dos direitos mais elementares, garantidos pela própria Constuição Brasileira?

Todos  nós temos as nossas histórias para contar, experiências pessoais que nos levam à certeza de que, quem está doente, neste País, é o sistema de saúde brasileiro. Nós somos simplesmente o efeito colateral.

No dia 5  deste mes comecei a sentir anomalias no sistema urinário. Inúmeros fatores podem ocasionar tais sintomas, associados a causas diversas. Pelo desconforto e alerta que o organismo começou a apresentar, seria necessária uma ação urgente para diagnosticar e tratar o problema.

No sistema público, gerenciado pela Prefeitura Municipal de Vitória, em convênio com o SUS, a previsão de conseguir uma consulta com médico especialista, foi de cerca de cinco a seis meses. Seria tarde demais, pensei. Então parti para o Plano B, de buscar um especialista credenciado por meu Plano de Saúde.

Não havia. Descobri, após buscar mais de 10 medicos urologistas, que nenhum era credenciado. Todos eles só atendiam consultas particulares. Até poderia recorrer a uma consulta paga. Mas os médicos, hoje, só fazem um diagnóstico mediante exames médicos. Isso  poderia engrossar as despesas. já que, provavelmente haveria mais de um exame para fazer, em laboratórios diferentes. E ainda teria que retornar ao médico pago para efetuar um  novo desembolso, ai sim, para elaborar o diagnóstico.

Consultas pagas inviabilizam os médicos a requererem exames através de Planos de Saúde. Uma vez no sistema pago, teria que meter a mão na carteira a cada etapa. E isso sem falar numa possibilidade de internação hospitalar.

Após oito dias de convívio com uma situação de desconforto. alimentada pela total ignorância acerca do que tinha, consegui, finalmente, um especialista credenciado ao Plano. Como era de se esperar, exames foram solicitados, que deveriam ser providenciados por mim, em regime de urgência. Marquei a data com um laboratório de ultrassonografia, como parte dos exames. Após uma espera de dez dias, apresentei-me ao laboratório para cumprir com aquela etapa, que exigia bexiga cheia, um certo desconforto que certamente comecei a enfrentar. Mas após tomar muita água,  fiquei a frente de muita burocracia. O Plano vetou a autorização. Naquele momento só estavam atendendo casos de emergência e gestantes. O meu era urgente, mas poderia ser esperado. Só me restou passar ao banheiro e depois, retornar à minha residência.

Uma nova data foi marcada para doze dias após.

Passados 26 dias consegui, finalmente, fazer a ultrassonografia, depois de brigar, uma segunda vez, com a burocracia do Plano até liberar a autorização para o Laboratório.

Enquanto isso, acreditando que a burocracia é mais importante do que o bem-estar das pessoas, nem procurei mais o Plano para complementar os exames laboratoriais. Consegui uma consulta com uma médica clínica da família, que requisitou, pelo SUS, os demais exames faltantes, acrescentando mais ítens aos requeridos pelo médico especialista. Mas somente na semana seguinte.

Pelo sistema público, decorridas duas semanas, após o início dos sintomas, consegui coletar o material laboratorial para análise.

Tudo pronto? Não. Espera de mais dez dias para o resultado. Ontem, dia 30, retornei ao Posto de Saúde de Jardim da Penha, onde fiz a coleta, para receber os resultados. Mas me deparei com um aviso à porta principal do laboratório: "nos dias 30, 31 e 1° não haverá expediente na parte da tarde".

Sem muito acreditar no que a evidência de meus olhos mostravam, tive que voltar hoje pela manhã. Exame na mão, fui marcar a consulta.

Ao atendente lembrei minha condição de idoso, solicitando atendimento de urgência. Consegui atendimento.  Marquei para  o próximo o dia 27 de fevereiro para, finalmente, mostrar os exames. Após decorridos 54 dias de espera, poderei, finalmente, conhecer a causa desta anomalia funcional do sistema excretor de meu organismo.

Enquanto isso estarei me sentindo como todos os que me lêem: somos usuários de um sistema que agoniza, à espera de uma reformulação que vá ao encontro da grande massa "beneficiária", que continua aguardando o reconhecimento de sua condição cidadã.

Há que se salientar que, nunca em minhas gestões, pelos corredores de instituições públicas de saúde , deixei de encontrar funcionários cortezes, pois sempre procurei tratar o servidor público com o devido respeito. O mesmo acontece em relação aos profissionais do sistema privado de atendimento.

As falhas que observo possuem vertentes comuns: falhas no sistema de gestão, mal versação do dinheiro público, privilégios e apadrinhamentos, formação de grupos coorporativistas, alienação ou gestão autocrática da coisa publica.

O resto é consequência.

Profissionais que passam pelas escolas sem a devida qualificação, Médicos que se queixam de não reporem o que investiram nos bancos escolares, Planos de Saúde que dão prioridade a seu custeio, relativizando o atendimento que prestam, estabelecimetos públicos sem equipamentos, carência de funcionários e de gestão ineficiente.

E, enquanto nosso sistema de saúde não sofrer uma reformulação, continuaremos, todos, com muitas histórias para contar. E reafirmando o que ouvi de alguém de minhas relações:

Tenho medo de adoecer neste País.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Defeito ou virtude?

Muitas vezes, durante os finais de semana, nos deixamos levar pela preguiça e pela inércia, como forma de recompormos todas as tensões acumuladas durante a semana. Quando isso acontece, gosto de sentar à frente do aparelho de televisão e procurar, nas emissoras a cabo, um bom filme para preencher as horas. 


Desses que levam o espectador a elaborar reflexões e análises críticas sobre o seu conteúdo, bem como analisar o trabalho de diretores e roteiristas, além da performance de atores diante dos papéis que lhes foram confiados. 


Inúmeras vezes, também, me senti um perfeito idiota, diante de um monte de enlatados, que foram alvo de incontáveis reprises e que não deixam opções para quem procura esta forma de lazer. Isso sem incluir a decepção com as programações oferecidas pelos canais livres, compostas, dentre outras, por programas de auditório e por  realitys shows que são meras cópias de produções exibidas em outros países, notadamente nos Estados Unidos. A qualidade dos programas que imitam o " american way of life " é sofrível e, portanto, não se constituem alternativas para quem não encontrou filmes interessantes para assistir. 


Então, fico com a nítida impressão que os responsáveis por essas programações se esmeram em superar seus concorrentes na escolha dos piores filmes. Tudo com o objetivo subjacente de manter a programação à baixo custo e baixa qualidade mas assegurando o preenchimento da grade, durante os chamados "dias de descanso", que acabam mais me irritando do que me servindo de entretenimento. Talvez esses programadores acreditem que os dias de sábado ou domingo são reservados para se fazer de tudo, menos para assistir bons filmes. 


Durante um dos últimos finais de semana, essa mesmice se repetiu, a ponto de ficar sistematicamente trocando de canal até irritar os meus familiares com tanto troca troca. Quando já ia desistir, parei o controle num dos canais que exibe, em sua programação, filmes mais antigos. 


E lá estava um John Travolta que não mais existe. Alto, magro, franja " pega rapaz", calças coladas de couro, pingentes e outros pindulicálhos e um caminhar rebolativo peculiar que o notabilizou por seu filme mais famoso. Sim, após tantos anos, resolvi rever "Embalos de Sábado a Noite". 


Ao ser lançado, o filme recebeu o título original de: " Saturday Night Fever ", mas ao chegar ao Brasil recebeu esse intrigante nome. Nada melhor do que, em plena noite de sábado assistir a "Embalos de sábado à noite", lançado no ano de 1977, pela  Paramount Pictures, com duração de 1 hora e cinquenta e dois minutos.

Esse filme marcou a juventude dos anos 70, sendo uma perfeita radiografia daqueles tempos, quando a chamada " juventude transviada " ganhou a sua vez. Foi sem dúvidas uma das melhores interpretações de Travolta em sua carreira. O diretor também soube unir muito bem coreografia e trilha sonora para oferecer aos espectadores uma experiência empática traduzida por emoção e sensibilidade. O espectador vai se envolvendo com música, trama e coreografia até atingir o seu climax ao som de "More Than a Woman". 

Quem não se identificou com o personagem Tony Manero? Ele buscava superar seus limites, vencer no mundo da dança, se divertir e amar, tudo isso ao tempo em que a discoteca passou a se constituir na principal opção de lazer. E quantos não tentaram imitá-lo em seus passinhos requebrados?

Mas, assistí-lo agora, 35 anos após o seu lançamento, me permite ver nuances e detalhes não enxergados naquela época. Tony Manero é um menino nascido e criado no Bronx, quase ao tempo em que nascia, ali, o movimento cultural denominado hip hop.  Jovem ambicioso e arrogante, escolheu a dança como forma de o levar para fora dos limites do distrito onde nascera.

Seu inconformismo com a vida que levava e o seu trabalho, numa loja de tintas, no Brooklyn, foram o estopim, alimentado pelo fato de ser o lider, entre seus amigos, das noitadas de danças, justamente por ser considerado o melhor dançarino entre eles. Tony Manero fazia muito sucesso entre as mulheres justamente por esse predicado. Sempre com a câmera à sua frente, o personagem seguia para as noites de discoteca e lá se reunia com um grupo de jovens, que vestiam as roupas coloridas da moda, tecidas em poliester. É praticamente impossível o espectador ficar imune às cenas de discoteca, com suas luzes, cores e músicas que embalavam sábados à noite.

Até encontrar o seu caminho, Manero (dizem que vem daí a expressão "maneiro", no Brasil, que significava agradável) fez bicos, trabalhou de garçom em danceteria, até encontrar a chance de postular uma vaga de dançarino em uma companhia de danças de Hollywood.  

Manero vive uma crise existencial, questionando suas limitações e perspectivas. E eis aqui o ponto que queria colocar em discussão. No auge desses questionamentos vai visitar a sua mãe, que há muito tempo não via. E lá acaba pedindo-lhe desculpas por tê-la tratado mal, quando ainda vivia naquela casa. Em seu desabafo, ele lhe confessa se dar conta do quanto tinha sido arrogante, intempestivo e ambicioso.

Sua mãe lembra-lhe que se nutriu do amor de mãe que sentia por ele, capaz de superar e entender seu comportamento contestador. Depois ela lhe responde:

- Desculpá-lo por quê? Não tens que me pedir desculpas. Pois foi sua arrogância, ambição e seu jeito intempestivo que lhe tiraram daqui.

Manero consegue não só ser aceito na companhia de danças como, ainda, por ser insinuante, o papel principal daquele musical. Mas o seu relacionamento pessoal com seus colegas, por seus atributos, gerou intolerância e discriminação, tal como acontece, geralmente, nesses casos, fora da telinha.

Humilhado por sua companheira de dança, que lhe diz não ter talento, não passando de um dançarino amador, ele consegue, em sua estréia, superar-se, provar a ela e a todos que não foi em vão a escolha de seu nome para o papel principal, fazendo, de improviso, um solo que levou o público presente a aplaudí-lo de pé.

A atitude de fazer rebaixar os outros para legitimar o poder é algo atemporal.
O mesmo vale para quem é arrogante e intempestivo, embora esse comportamento seja discriminado e reprovado pela sociedade. Trata-se de um mecanismo de defesa que leva o ser humano a conviver com situações de opressão e autoritarismo.

Nosssa sociedade tripudia pessoas arrogantes, mas aceita talentos que sejam dóceis e concordatos. E se esquecem que, por baixo das aparências de arrogância e intempestividade pode existir pessoas talentosas, criativas e visionárias. Nem sempre pessoas talentosas são afáveis. Ao contrário: são de difícel trato.

No caso do filme, o diretor da companhia soube olhar por sobre a arrogância de Manero e enxergar talento, criatividade e inventividade. Bastou lhe dar uma chance e ajudá-lo a ver outras maneiras de superar seus "mecanismos de defesa" para fazê-lo colocar para fora quem realmente ele era, para ter certeza de que estava preenchendo a vaga de dançarino principal da companhia com alguém que, embora de difícil tratamento, levava consigo os atributos necessários para ser o primeiro da companhia.

Seria esse episódio algo de uma obra de ficcção ou seria o filme uma forma de retratar aquilo que nos acontece todo o tempo? Quantos comportamentos são tratados somente pela perspectiva do mal, rejeitados ou discriminados, sem que a pessoa que o tenha receba a oportunidade de serem utilizados de forma positiva para superar traumas e provocar catarses capazes de levar seres humanos a superar limites para se tornarem pessoas mais harmoniosas e com domínio de si mesmos?

E, como a vida imita a arte, o próprio John Travolta torna-se expressão do papel que representou, no ano de 1977. Logo compreendeu que não poderia ser Manero para sempre em sua carreira. Então soube desapegar-se de sua fama, passando a ser um ator versátil e muito distante do universo de danceterias que o consagrou.

Por isso posso dizer que há, em todos nós, um Manero, que guarda suas virtudes sob o manto da subserviência e da hipocrisia.  Basta um pequeno desafio para fazer eclodir todo o conetúdo que escondemos, com medo do que os outros possam dizer de nós. Se criarmos coragem, tivermos determinação e confiança em nós poderemos nos tornar alquimistas que desvendam véus até chegarmos a compreender quem realmente somos.

Ao me dar conta deste fato, que passa quase que desapercebido, ao longo do filme, para quem vê somente na música e na dança o mot da proposta de direção, pude satisfazer o desejo de assistir um bom filme, salvar a noite de sábado e me rever para reconsiderar pontos fortes e fracos em minha personaliade.

Também compreendi agora o sucesso retumbante que fez a novela Dancin' Days (1978) no Brasil, pouco tempo depois. Por trás da mesmice, há um talento escondido, que necessita deixar de ser amordaçado, para ser revelado, notadamente em um País que alterna, em sua história, tantos momentos de regime de excessão quanto de distenção. E gera pessoas reprimidas e com complexos para atenderem ao que o sistema quer: pessoas afáveis, comportadas e submissas.

Tudo está devidamente guardado no interior de cada indivíduo. Para isso lembro o que falou uma vez Augusto Cury):

"Um ser humano rico procura ouro na sociedade, um ser humano sábio garimpa ouro no solo de seu ser. Quem tem  luz exterior caminha sem tropeçar. Quem tem luz interior caminha sem medo da vida. Alguns viajaram pelo mundo todo, mas nunca tiveram coragem ou habilidade para viajar para dentro de si mesmo. Ninguém pode conquistar o mundo de fora se não aprender a conquistar o mundo de dentro".

Mais do que simples movimentos coreográficos o filme deixa subjacente uma outra realidade. O personagem Manero é o exemplo da superação do ser humano que habita em nós, que muitas vezes sabe usar um atributo refutado pela sociedade para se converter em elemento de transformação. São os embalos de sábado a noite, sacudindo nossas vidas e nos mostrando a essência de tudo aquilo que escondemos por baixo das rotinas e mesmices de uma vida encarada em nome da sobrevivência.

A direção do filme esteve a cargo de John Badham, roteiro de Norman Wexler, com estória de Nik Cohn e produção de Milt Felsen e Robert Stigwood. A música ficou a cargo de Barry Gibb, Maurice Gibb, Robin Gibb e David Shire e a fotografia por Ralf D. Bode. O figurino teve a assinatura de Patrizia von Brandestein e a edição ficou a cargo de David Rawlins.

Além do jeitão sui generis de John Travolta, no papel de Tony Manero, o elenco contou com as participações de Karen Lynn Gorney (Stephanie); Barry Miller (Bobby C.); Joseph Cali (Joey); Paul Pape (Double J); Donna Pescow (Annette), Bruce Ornstein (Gus), Julie Bovasso (Flo), Martin Shakar (Frank), Lisa Peluso (Linda), Denny Dillon (Doreen), Fran Descher (Connie), além de Ann Travolta (Garota da pizzaria).

O filme teve as indicações para o Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Filme - Comédia/Musical; Melhor Ator - Comédia/Musical - John Travolta, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original - "How Deep is Your Love? assim como a sempre lembrada presença do grupo Bee Gees, também, naquela época, no auge de sua carreira e juventude.





sábado, 31 de dezembro de 2011

Um renovar de esperanças

A todos os que visitam esta página desejo um feliz e próspero 2012.

É hora de renovar as esperanças num amanhã promissor.

Na passagem do ano, muitos costumam vestir-se de branco, colocar uma peça de cor verde, amarela, brindar com espumante e assistir o espocar dos fogos. Saltitar ondas, andar sobre um pé só, comer lentilhas e tantas outras simpatias.

Mas isso é coisa de momento e não garantirá a eficácida que queremos para mudar nossas vidas.


Se não estiveres satisfeito com o que tens colhido em tua vida, lance ao chão sementes diferentes para colheres outros resultados. Colheitas certas se fazem com sementes certas, lançadas ao chão.

Para mudar a sua vida, faça uma revisão ou aclaramento de objetivos e metas, além, é claro, de assumir o controle da própria vida, com determinação, perseverança e consciência.

Só assim você irá influenciar outros a fazerem o mesmo.

Como dizia Gandhi: faça em si mesmo a mudança que queres ver no mundo. .


Não apenas reclames ou reinvidique que os outros façam a sua parte. Faça a sua parte, aja.

Ninguém se inspirará em alguém que seja irredutivel, conservador ou procrastinador.

Comece. De início pode ser difícil. Não se esqueça que uma marcha se inicia pelo primeiro passo. Aja com sinceridade, altruísmo e amor transcendente. Esqueça-se de reclamar, seja pró-ativo e deixe de lado a Lei do Gerson de levar vantagem sobre tudo e sobre todos.

Não does, doa-te, ajuda o próximo, coloques um sorriso no rosto. Faça a sua parte...e tenhas

UM FELIZ 2012!





sábado, 24 de dezembro de 2011

Oração pelo Natal

Pai Celestial!

Hoje é véspera do dia escolhido pela humanidade para homenagear a força Crística que se plasmou em um ser humano iluminado, desvendando o mistério da Santíssima Trindade. E eu, como ser imperfeito, me volto a pensar na força do amor espargido por este Grande Ser, que renunciou a si mesmo para permitir que cada um de nós pudésse encontrar o caminho de volta.

Olho e vejo todos aqueles que, neste momento, recebem presentes, guardados, até há pouco, de baixo de árvores artificiais para inspirar seres humanos a praticar sentimentos verdadeiros de amor ao próximo.

Logo teremos seres humanos vestindo roupas novas, usando novos perfumes, com aromas diferentes, que passam a ser exalados no ar, brinquedos novos fazendo a alegria da criançada, computadores, ipades, jóias, adornos e utensílios para a casa e tantos outros " presentes", que além de agradar seus destinatários, também agradam o comércio e a indústria que triplicam seu faturamento nesses dias.

E, também, logo haverá mesa farta, bebidas variadas, salgados, doces e tudo aquilo que não consta no cardápio quotidiano daqueles que participam desses verdadeiros banquetes. Oro por esses, para que a fartura não lhes falte nunca nesses momentos.

E, ainda, Pai Celestial, há aqueles que estão passando mal-estar em seus organismos, por aqueles que precisam de atendimento médico, por aqueles que estão em seus leitos de morte, por aqueles que estão em seus leitos de hospitais, às vezes em cima de colchões, esparramados pelo chão, nas enfermarias, por falta de leitos ou ainda não ingressaram nos hospitais, à espera de uma vaga para tratar de suas enfermidades. 

E, também, há aqueles alienados pelo vício, aqueles privados em cárceres, aqueles que vivem a dor da fome, da sede e do frio, há os suicidas e aqueles que perderam a esperança em si mesmos. 

Isso sem falar naqueles que vivem a dor da separação de pais, filhos, amigos e parentes. E, também, aqueles que perderam as esperanças na vida, aqueles que são vítimas da violência e da guerra, das forças da natureza, dos efeitos de seus próprios karmas. 

Meu Pai Celestial!

Abençoai a todos os que consegui lembrar de suas existências e também que, por limitação humana, esquecí sem ter direito a isso. E, também a mim, para que eu não perca o sentido de humanidade que está presente em minha caminhada.

Meu Pai Celestial!

Abençoai a todos os que lêem esta página, aqueles que visitam, periodicamente, este espaço, em busca de subsídios para suprir as  necessidade existenciais, de propiciar reascender, em si, alguma coisa perdida. E, também, os meus amigos, pela fidelidade e aos meus inimigos por tudo o que já me ensinaram.

Que eu consiga encontrar neste Natal o verdadeiro sentido desta data, representada pelo amor ao próximo, o esquecimento de si mesmo e de que é o espírito quem realiza experiência na matéria e não o contrário. Porque logo-logo a minha vida deixará de seguir o seu curso e eu conseguirei levar comigo, para uma outra, apenas e tão somente as lições que aprendí e os sentimentos que alimentei a uma verdadeira vida espiritual, tão distante e também tão próxima de meus anseios e desta noite tão apaziguadora que marca a passagem do Mestre Jesus entre nós.

Obrigado Pai Celestial, pelas graças que recebí, recebo e receberei: por estar nesta vida neste momento, por minha saúde, pela comida que me vêem à mesa, pelo abrigo de minha casa, por minha família, meus amigos e todas as demais coisas que me são oferecidas pelo Universo, enquanto houver natais como o que se comemora no dia de hoje.

Que assim seja!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11/11/11

Será que o dia de hoje pode ser considerado uma data especial, capaz de trazer grandes transformações à vida das pessoas?


O número trás consigo o seu impacto: 11/11/11, abrindo nossa intuição para nos alinharmos diretamente às forças cósmicas ou telúricas, na esperança de que as energias que circulam tragam, por si só, mudanças significativas em nossa vida.


Queremos receber bons presságios, adquirirmos meios para fazermos algo novo, afastando a negatividade, para que possamos fazer as pazes com a sorte, ou, ainda, fazermos jus a uma condição de ficarmos imunes ao mau agouro. E não queremos que elas signifiquem maus presságios, a exemplo do que ocorreu no ataque às Torres Gêmeas ou no tsunami ocorrido no Japão, ou, ainda, o que ocorreu na região serrana do Rio durante este ano. Todos esses acontecimentos ocorram num dia onze.


Pensando nisso também me pergunto se esse não é o mesmo comportamento registrado a cada primeiro dia do ano? Para recebê-lo usamos roupas íntimas novas e segundo a cor do ano, pulamos num pé só ou em ondas, jogamos sal e tantas outras crendices e superstições que visam trazer a nós os bons fluidos e despertar novos potencias em nós, sem que façamos nada, senão esperarmos por um milagre, trazido por esses bons ventos. Ainda mais quando essas comemorações coincidem com uma sexta-feira, reforçando nossa imaginação.


Alguns acreditam que o número onze, repetido três vezes, sugira a abertura de um portal energético sobre a terra, trazendo renovação para a humanidade. Outros, nesta data, prenúncio de mau agouro. De fato, na numerologia, o número um está associado à criatividade e a confiança em si e, quando adverso, desperta o bloqueio, a frustração, o mal e está associado ao vício.


Mas, acima de tudo isso me pergunto se as influências externas são capazes, por si só, de provocar mudanças em nossas vidas? Não recebemos nada de graça. Acredito que só haja matéria porque essa é alimentada por energias mais sutis. E essas possam nos inspirar boas ou más influências. Porém somos dotados de livre-arbítrio para determinarmos o curso e a qualidade de nossas vidas. São nossas atitudes que determinam o nosso destino. São nossas atitudes que nos levam a vibrar nessa ou naquela energia.


Por mais favoráveis ou adversas que sejam essas forças, somos o fiel da balança. São nossas forças internas que se identificam ou não com as forças que vêm a nós. Somos nós que abrimos ou fechamos as portas. É do nosso esforço que dependem as mudanças, trabalhando regularmente essa transformação que almejamos, até chegarmos a transcender nossos obstáculos. É nosso fogo interior, a garra, a determinação e o enfrentamento de medos, angústias, inseguranças, aliada ao firmo propósito de levar nossa vida para onde desejamos.


Seria muito fácil, a cada início de ano, colocar uma peça íntima nova, na cor do ano e simplesmente esperar que as coisas aconteçam conforme o rumo desejado. Seria muito fácil acreditar que acendendo uma vela ou fazendo uma oração entrássemos em um novo portal e, por sermos bonzinhos e bem-intencionados, ganhássemos, por acréscimo, o reino dos céus. O que vale é nossa intenção e aquilo que, com esforço, fizermos para mudar nossas vidas. É preciso caminhar com nossos pés até chegarmos ao destino traçado. Antes ou depois de uma data cujos números se repitam, como é esse 11/11/11.


A você, que me lê uma boa caminhada. E que os portais se abram, não porque seja uma dádiva, mas porque queremos aprimorar nossa existência, ver um mundo mais justo, fraterno e amoroso. Para isso não precisamos de milagres e sim de verdadeira perseverança, aliada à pura retro-intenção e o desejo altruísta de somar, aliar e integrar. O resto, bem o resto se faz por acréscimo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mudanças


A partir desta semana este blog passa a circular contendo um novo visual. O motivo? O blogger está introduzindo inovações em seu sistema operacional que incluem novos formatos e novos modelos. Para explicar tais mudanças, um designer da Empresa gravou um vídeo, evidenciando as novidades introduzidas no sistema de funcionamento do provedor do blog.

Entre elas a modificação de botões, substituídos por outros, contendo ícones, o sistema de visualização da página, destinada ao gestor, permitindo novos atalhos e novos recursos. Um novo lay out, também destinado aos gestores do Blog, permite a livre escolha das disposições de artigos, gadges, assim como a posição de botões que mostram a listagem de seguidores, links para arquivos mais antigos e perfil do autor.

Naturalmente as antigas funcionalidades do sistema deverão ser desaquecidas, incluindo o design antigo. Daí a necessidade de mudanças no visual desta página digital.

Muitas vezes as mudanças trazem desconfortos, principalmente para aqueles mais conservadores, que odeiam sair do já estabelecido. Suas resistências não só abrangem modelos e formas, mas, principalmente, estruturas internas que conformam a sua personalidade. São levadas pelo medo de sucumbirem, em meio a uma incursão por caminhos desconhecidos.

Nem sempre é fácil permitir-se mudar e, de cara, rejeitam todo e qualquer desafio que implique em abrir suas defesas e se tornar vulnerável às mudanças que possam arranhar sua imagem frente a si e aos demais.

Abrir-se ao desconhecido é, antes de tudo, aceitar-se e alimentar amor por si mesmo, pois é no caminhar que descobrimos novas possibilidades e não ao findar de um percurso.

A grande maioria dos seres humanos utiliza cerca de 98% de sua capacidade mental, através do neo-cortex cerebral, isso é, através da razão, para dissecar o que vêem, sem se deixar levar pela intuição e por sua criatividade, que lhes permitem uma visão holística do que enfrentam em busca de novas descobertas.

Permitir-se lançar-se ao novo, assim como as mudanças no visual deste Blog, é buscar uma nova dimensão de vida. Gostar da novidade é o primeiro passo para uma transformação interior. Afinal, ao fazer algo manualmente, como apertar botões, também enseja fazer de si um ser novo, renovado a cada dia e a caminho de seu próprio desenvolvimento. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

INFORMAR OU PENSAR?

O termo “Sociedade da Informação”começou a ser empregado, em larga escala, a partir das últimas três décadas do século passado. Havia uma expectativa de se converter em importante ferramenta para o aperfeiçoamento de processos de comunicação e de evolução do conhecimento. Esse termo também passou a designar a Sociedade do Conhecimento, tendo em vista emergência de um novo termo: a globalizaçâo.

Questões semânticas à parte, pode-se dizer que a “Sociedade da Informação”, como o próprio nome sugere, passou a reservar à informação um papel fundamental na produção de riqueza, contribuindo, assim, para o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos. A sua eficácia, no entanto, passou a depender da condição de os indivíduos envolvidos saberem ler e interpretar textos, efetuar cálculos matemáticos, ainda que simples, o que gerou a necessidade da formação de profissionais e sua qualificação, incluindo o aumento considerável de indivíduos nos ambientes acadêmicos.

Mal chegamos à primeira década deste século e já podemos notar o lado draconiano desse processo. Neal Gabler, da Universidade do Sul da Califórnia teve o resultado de seus estudos publicados na edição do dia 16 de outubro do corrente ano, no jornal New York Times, a partir do qual constata que ter informações tornou-se mais importante do que pensar, e, assim, estaríamos ingressando numa era pós-idéias.


Segundo ele, o grande volume de informaçôes, divulgadas através dos meios de comunicação, foi aliada à tendência de os usuários estarem perdendo a distinção entre ficção e realidade.

Thomaz Wood Jr., autor da postagem, descreve o relatório do autor: “Seu ponto de partida é uma constatação desconcertante: vivemos em uma sociedade vazia de grandes idéias, leiam-se, conceitos e teorias influentes, capazes de mudar nossa maneira de ver o mundo. De fato, é paradoxal verificar que nossa era, com seus gigantescos aparatos de pesquisa e desenvolvimento, o acesso facilitado às informações, os recursos maciços investidos em inovação e centenas de publicações científicas, não seja capaz de gerar idéias revolucionárias, como aquelas desenvolvidas em outros tempos por Einstein, Freud e Marx”.

Ao ler tal consideração, interpreto esse fato segundo o que diz a linguagem popular: que a vaca foi para o brejo. Há uma longa distância entre intenção e concretização do que fora estabelecido. Para o autor, a carência por boas idéias se deve ao fato de vivemos em um mundo no qual idéias que não podem ser rapidamente transformadas em negócios e lucros são relegadas às margens.

O autor reconhece o declínio de ideais iluministas, onde há a troca de modos avançados de pensamento por modos primitivos. Esse modelo afasta as universidades do mundo real, valoriza o trabalho hiper-especializado, em detrimento da ousadia. E, também, critica o culto da mídia por pseudo-especialistas, que defendem idéias pretensamente impactantes, porém inócuas.

Para Neal Gabler, da Universidade do Sul da Califórnia, o excesso de informações estaria debilitando nossas idéias, uma vez que elas, antes, eram coletadas para construir conhecimento, para compreendermos o mundo.

Graças à internet, o volume de informações disponibilizadas por qualquer fonte, em qualquer parte deste planeta, já não mais permite isso. Temos acesso a tantas informações que não temos tempo para processá-las.

Assim o seu uso se torna meramente instrumental: nós as usamos para nos manter à tona, para preencher nossas reuniões profissionais e nossas relações pessoais. Estamos substituindo as antigas conversas, com seu encadeamento de idéias e sua construção de sentidos, por simples trocas de informações. Saber, ou possuir informação, tornou-se mais importante do que conhecer; mais importante porque tem mais valor, porque nos mantêm à tona, conectados em nossas infinitas redes de pseudo-relações. As redes substituem raciocínios lógicos e argumentos por fragmentos de comunicação e opiniões descompromissadas.

O autor diz que o excesso de informações virtuais nivela comportamentos tanto do mundo virtual como do mundo real: colhe-se e distribui-se informações sem vontade ou tempo para analisá-las. Captam e reproduzem informações como máquinas, cheias de imagens e frases curtas, signos cheios de significado e vazios de sentido.

Para Gabler essa ausência de análise corrobora para a desvalorização das idéias, dos pensadores e da ciência, uma vez que tendemos a aumentar o volume de informações mas há o paralelo perigo de não haver mais ninguém para pensar a respeito delas.

E, sobre todo esse contexto analisado por Gabler, de suma importância para definir atuais e futuros comportamentos, também acrescento o fato de um grupo de formadores de opinião brasileiros lançarem as bases para eliminação, no processo de aprendizado escolar, da escrita a próprio punho, já que a digitação substitui, por sua rapidez, os apontamentos manuscritos. Sabemos o valor de um manuscrito para a formação e definição dos perfis psicológicos de educandos.

E, por último, duas tendências, observadas por mim, em relação aos textos que circulam pelas redes sociais: o poder de síntese, para desobrigar usuários a gastarem muito tempo em leitura de textos longos, aliados à redação de textos mediante abreviaturas, contendo erros de português e cheios de estrangerismos. Acrescento que tais vícios levam à preguiça mental e o esforço limitado para análises.


Tenho reparado que artigos mais extensos, de minha autoria, postados neste blog, geram pouco interesse ou nem sequer são lidos, a par do esforço de fazer pesquisas, buscar lançar idéias que propiciam a discussão, tornar esse espaço mais atrativo à visitação. Em conversa com alguns leitores, eles me sugerem: faça textos mais enxutos, mais fáceis de serem lidos, que não façam o leitor “perder tempo””. E eu tenho respondido: “para isso existe o twitter”.

Gabler tem razão ao afirmar que colocamos a informação acima do conhecimento, mas eu acrescento ainda: informação concisa, clara, que não dê muito trabalho para o leitor pensar e que o livre da obrigação de gerar conhecimento.

Pois, afinal, neste contexto, descrito por Gabler, vale mais gerar informação que mantenha o poder e ascendência do que propiciar a reflexão e o surgimento de novas idéias. Estamos substituindo as antigas conversas, com seu encadeamento de idéias e a sua construção de sentidos, por simples trocas de informações. Talvez seja por isso que o twitter tenha se convertido em redundante sucesso.

E se, por acaso, algum dia inventarmos uma engenhoca que leia pensamentos, para encurtar o trabalho de digitação, talvez não achemos o conteúdo gerador do grande volume de informações despejados na internet, simplesmente porque esquecemos de gerar idéias, conceitos e teorias influentes, capazes de mudar nossa maneira de ver o mundo. Aí então poderemos lembrar o maior comunicador que já passou por este País, ao dizer “quem não comunica se trumbica”.